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Em uma realidade na qual é cada vez mais comum ter mais de um computador em casa ou usar apenas um notebook, geralmente com capacidade de armazenamento limitada, vem crescendo o apelo de um novo tipo de dispositivo tecnológico: o NAS. A sigla, de Network Attached Storage, geralmente indica os discos rígidos (HDs, para os íntimos) externos que ficam acessíveis pela rede, sem precisarem ser plugados em cada computador a partir do qual precisarmos acessar seu conteúdo.
Além de tornar arquivos como sua biblioteca de músicas, fotos e vídeos disponíveis para toda a casa, sem precisar fazer várias cópias, um NAS também pode ser usado para backup de documentos importantes – especialmente útil para quem anda com o notebook para cima e para baixo – ou simplesmente para diminuir nossa dependência de um computador específico. Como na maioria das empresas, os arquivos passam a ficar armazenados “na rede”, e não nos discos locais de cada micro.
Apesar de já termos avaliado aqui alguns HDs externos, como o modelo com cara de Mac Mini, o case para montar seu próprio HD externo e até um case para HDs de notebook que também serve de servidor de mídia, o mais próximo que chegamos de um NAS foi no teste do mal resolvido roteador WL700gE, da Asus, que conta com um disco rígido interno que fica acessível pela rede.
Pois o assunto deste Ponto de Teste é um NAS legítimo – o DNS323, da D-Link, vendido lá fora por volta de US$ 180. Existem opções mais baratas, só que mais lentas ou menos expansíveis; e outras mais caras, que já vem com o disco rígido – mas analisando apenas suas especificações e relatos de quem já as experimentou, achamos que nenhuma tem melhor relação custo/benefício.
Projeto minimalista
O desenho do DNS323 é o mais simples possível: um paralelepípedo metálico de 20 cm de comprimento por 10 cm de largura e 13 cm de altura, com a marca D-Link gravada em baixo relevo nas laterais escovadas. Na traseira de plástico ficam os conectores de força, rede Gigabit Ethernet (raridade nesta categoria de NAS, normalmente limitada às redes 10/100) e uma porta USB, além do orifício de ventilação da minúscula ventoinha de uns 4 cm de diâmetro e as alavancas para ejetar os HDs.
A frente do aparelho é uma tampa plástica com um detalhe prateado no centro, onde está o único botão do aparelho – um quadrado preto dentro de outro iluminado em azul e devidamente disfarçado com a marca do fabricante – e três ícones também iluminados que indicam a operação de cada um dos dois discos e da conexão de rede. Esta tampa é facilmente removível, bastando deslizá-la para cima alguns milímetros. Este, por sinal, é um dos poucos defeitos do aparelho – preferíamos que essa tampa ficasse travada, talvez até com chave, e que o NAS tivesse aquele encaixe para um cabo de segurança.
Ao retirar a tampa, encontramos os leds que iluminam os indicadores da frente do aparelho e, o mais importante, as duas baias para o par de discos rígidos Serial ATA (SATA, para os íntimos) que de fato armazerão nossos dados. Espetá-los ali é uma tarefa tão simples quanto encaixar um cubo num daqueles brinquedos infantis. Se, eventualmente, precisarmos retirá-los, porém, será preciso usar as tais alavancas traseiras, pois não espaço para puxar os discos pela frente.
Poder receber até dois HDs e não vir de fábrica com nenhum é o que dá flexibilidade ao DNS323: você pode escolher a marca e capacidade de discos que preferir, substituí-los quando quiser ou mesmo começar com apenas um e depois adicionar um segundo. No site do fabricante são listados os modelos de HDs homologados, mas, em tese, qualquer disco de 3,5 polegadas padrão SATAII deveria servir.
Para nunca mais perder nada
Em nosso teste, recheamos o NAS com um par de HDs Western Digital de 500 GB – o que poderia nos proporcionar a impressionante capacidade de 1 TB (terabyte). Poderia, mas não proporcionou – por decisão nossa mesmo. Explica-se: o fato de aceitar dois discos também permite que os configuremos em um sistema RAID (Redundant Array of Inexpensive Disks) nível 1, em que um disco funciona como espelho do outro.
No DNS323, pode-se optar por tratar os dois HDs como volumes independentes, fundi-los em um só – um modo conhecido como JBOD (Just a Bunch Of Disks) – ou, como preferimos, usá-los em RAID 1. Esta última opção reduz a capacidade do NAS pela metade e, idealmente, deve ser usada com dois HDs iguais, mas tem a grande vantagem da redundância de dados. Em outras palavras, se um disco pifar, não se perde conteúdo algum, pois está tudo duplicado no outro.
É importante ressaltar que, embora o uso do RAID 1 nos dê muito mais segurança contra falhas de hardware e diminua a necessidade de backups periódicos, ele não deve ser considerado um backup automático. Se algum desavisado (ou um vírus ou coisa parecida) apagar intencionalmente algum arquivo, o sistema automaticamente apaga dos dois discos. Da mesma forma, se um raio sobrecarregar sua rede elétrica e “fritar” o equipamento, os dois discos poderiam ser atingidos de uma vez só.
Em outras palavras, pode-se até usar um NAS para fazer backups automáticos de arquivos normalmente acessados do HD interno de cada micro – o DNS323 até vem com um programinha para isso – , mas não pense que ele já é um backup de si mesmo. E mais: como é feito para ficar disponível para toda a sua rede local, se não tiver seu acesso controlado por perfil de usuário, o NAS aumenta o risco de uma pessoa da casa fazer besteira com os arquivos de outra.
Servidor de quase tudo
As questões levantadas acima, nos trazem à questão do software. Ao plugar o DNS323 pela primeira vez, deve-se executar em pelo menos um dos computadores da rede um programa que ajuda a identificar o equipamento na rede e mapear o(s) disco(s) para uma letra de unidade do micro. A configuração mesmo, porém, é realizada direto na página Web interna do NAS, acessada pelo seu endereço IP da rede interna, como normalmente acontece com roteadores, pontos de acesso e equipamentos do gênero.
É nesta página que escolheremos o modo de formatação dos discos, criaremos grupos de usuários e definiremos cotas de uso e o que cada um deles poderá acessar ou modificar, além de configurar outros recursos bem interessantes do DNS323. Entre eles destacam-se o servidor de FTP que permite transferir arquivos pela Internet mesmo com todos os computadores desligados, e os servidores UPnP AV e iTunes, para compartilhamento de músicas e vídeo na rede local.
Como se não bastasse, lembra da porta USB na traseira do NAS? Pois ela pode ser usada para plugar uma impressora, agregando ao NAS a função de servidor de impressão – pena que não aceite ligar um HD externo e torná-lo acessível pela rede. Por fim, se você não tiver um servidor DHCP (normalmente o roteador) para distribuir endereços IP para os demais dispositivos, pode deixar que o DNS323 assume a missão.
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